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Nova Regulamentação Pode Inviabilizar Produção Própria de Bioinsumos a Partir de Janeiro de 2025

A produção própria de bioinsumos, como biopesticidas e biofertilizantes, tem sido uma prática sustentável e econômica amplamente adotada por agricultores brasileiros. Essa abordagem, essencial para a agricultura orgânica e sustentável, reduz custos, promove a independência de insumos industriais e minimiza os impactos ambientais. Porém, com a entrada em vigor da Lei nº 14.785/2023 em janeiro de 2025, o cenário pode mudar drasticamente.

Neste artigo, exploramos as principais mudanças trazidas pela nova regulamentação, os impactos para os pequenos e médios agricultores e as alternativas para se adequar às exigências legais.

 

Entenda a Lei nº 14.785/2023 e Suas Implicações

Aprovada em dezembro de 2023, a Lei nº 14.785/2023 estabelece novas regras para a produção de defensivos agrícolas, incluindo os de base biológica. Apesar de buscar padronizar e garantir a segurança dos bioinsumos, a lei impõe desafios significativos para agricultores que produzem insumos para uso próprio.

Principais alterações na regulamentação:

  1. Registro obrigatório de bioinsumos:
    Todos os bioinsumos, inclusive os de produção própria, deverão ser registrados em órgãos competentes. Até então, agricultores que produziam para uso exclusivo em suas propriedades estavam isentos dessa obrigação.

  2. Prazos de adequação:
    Até dezembro de 2024, os agricultores terão um período de transição para regularizar a produção. A partir de janeiro de 2025, a fabricação de bioinsumos não registrados será considerada ilegal, podendo levar a multas e até penas de reclusão de 3 a 9 anos.

Essas novas exigências podem inviabilizar a produção de bioinsumos em pequena escala, prejudicando práticas agroecológicas e orgânicas.

 

Impactos da Nova Regulamentação para Agricultores Sustentáveis

A mudança no marco regulatório traz desafios consideráveis, sobretudo para os pequenos produtores. Entre os principais impactos estão:

  • Aumento de custos e burocracia:
    O processo de registro de bioinsumos envolve análises de eficácia, segurança e sustentabilidade ambiental, exigindo investimentos significativos.

  • Descontinuidade da produção própria:
    Muitos agricultores podem optar por abandonar a produção de bioinsumos diante da complexidade do processo de registro.

  • Perda de competitividade:
    Pequenos e médios agricultores podem ser superados por grandes empresas, que possuem maior capacidade para atender às exigências legais.

Propostas em Discussão: Regulamentação Específica para Bioinsumos

Para minimizar os impactos da Lei nº 14.785/2023, projetos como o PL nº 658/2021 e o PL nº 3668/2021 propõem criar um marco regulatório exclusivo para bioinsumos.

Essas propostas visam:

  • Facilitar a regularização de bioinsumos em pequena escala.
  • Garantir a continuidade da produção sustentável e orgânica.
  • Estabelecer regras mais equilibradas para pequenos produtores.

A aprovação dessas medidas dependerá da mobilização de agricultores e entidades do setor até o final de 2024.

 

Orientações para Agricultores Durante a Transição

Para se preparar para as mudanças, os agricultores devem adotar algumas ações práticas:

  1. Buscar orientação jurídica especializada:
    Consultar um advogado especializado em direito agrário e ambiental para entender as novas exigências e regularizar a produção.

  2. Acompanhar os debates legislativos:
    Participar de discussões e apoiar iniciativas como os projetos de lei sobre bioinsumos.

  3. Estabelecer parcerias:
    Considerar associações ou cooperativas para dividir custos e simplificar o processo de registro.

Conclusão: O Futuro dos Bioinsumos no Brasil

A regulamentação dos bioinsumos é um avanço para a segurança e a padronização no setor agrícola. No entanto, ela também representa um desafio para agricultores que dependem de práticas sustentáveis e autônomas.

A Giovana Cecconello Advocacia e Consultoria Jurídica está à disposição para orientar agricultores sobre as adequações necessárias, garantindo uma transição transparente e minimizando os impactos para o setor.